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Sobre os Círculos de Mulheres

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Se tu não passas à prática a cura que recebes nos Círculos de Mulheres em que participas, então tudo pára na tua vida, porque a consciência é a primeira transformação e aí vem a responsabilidade da mudança. Se com a consciência tu não fazes nada e ficas à espera que a vida aconteça, entras neste processo de inércia e letargia.

Nos Círculos de Mulheres trabalhamos todas as questões inerentes à nossa história de meninas, mulheres e anciãs. Contudo, normalmente, as mulheres apresentam-se na postura das meninas que tomam tudo pessoalmente, que levam a peito cada re-descoberta e não integram a consciência de Círculo em si mesmas e na Espiral da Grande Mãe. Apresentam-se como estando à espera que alguém venha fazer algo por elas (os salvadores) ou esperam que algo aconteça para justificar o boicote ao processo de forma a saírem zangadas com o Círculo.

Se nós estamos a fazer o caminho para nós próprias porque é que vamos ser salvas de nós mesmas? E porque é que não devemos assumir que o Círculo não é um caminho de salvação mas sim de integração, com tudo o que isso implica?

 

Cada uma de nós tem a ferramenta que se adequa à nossa história pessoal, e não foi algo que nos tenha sido passado ou que herdámos, mas sim é o resultado de uma busca interna. Mas essa busca interna é que faz a integração. 

por Isabel Maria Angélica (Tenda Vermelha de 17.Fev.2016, Vairão, Portugal)

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A ETERNIDADE DE ÍSIS

A ETERNIDADE DE ÍSIS

Vitoriosa sobre a morte, Ísis sobreviveu à extinção da civilização egípcia, desempenhando um importante papel no mundo helenístico até ao séc V d.C.
O seu culto espalhou-se por todos os países da bacia mediterrânea e mesmo além.
Tornou-se na protectora de numerosas confrarias iniciáticas mais ou menos hostis ao cristianismo, detentora do segredo da vida e da morte e capaz de assegurar a salvação dos seus fiéis.
Mas Ísis não exigia apenas simples devoção; para a conhecerem, os seus adeptos deveriam sujeitar-se a uma ascese, não de contentando com a crença mas subindo na escala do conhecimento e transpondo os diversos graus dos mistérios.
Sendo o passado, o presente e o futuro, mãe celeste de infinito amor, Ísis foi durante muito tempo uma temível concorrente do cristianismo. Mas nem mesmo o dogma trinunfante conseguiu aniquilar a antiga deusa; no hermetismo , tão presente na Idade Média, ela continuou a ser a “pupila do olho do mundo”, o olhar sem o qual a verdadeira realidade da vida não podia ser apercebida. Alíás, não se dissimulou Ísis sob as vestes da Virgem Maria, tomando o nome de”Nossa Senhora”, à qual tantas catedrais e igrejas foram dedicadas?

ÍSIS, MODELO DA MULHER EGÍPCIA

Uma civilização molda-se de acordo com um mito ou conjunto de mitos. Todavia, no mundo judaico-cristão, Eva é pelo menos suspeita, e daí o inegável e dramático défice espiritual das mulheres modernas que se regem por esse tipo de crença. Isto não acontecia no universo egípcio, pois a mulher não era fonte de nenhum mal ou deturpação do conhecimento. Muito pelo contrário: era ela que, através da grandiosa figura de Ísis, enfrentava as piores provações, tendo descoberto o segredo da ressureição.
Modelo das rainhas, Ísis foi também o modelo das esposas, das mães e das mulheres mais humildes. Aliava à fidelidade uma coragem indestrutível perante a adversidade, uma intuição fora do comum e a capacidade para penetrar nos mistérios. Por conseguinte, a sua busca servia de exemplo a todas quantas procuravam viver a eternidade.

CHRISTIAN JACQ – As Egípcias

iIsis Bella

Senhora de Ofiúsa

– O que parece é que partiram a Mãe-Terra, símbolo de uma coisa só, em dois… – disse Emanuel. – A morte foi separada da vida, como tu disseste, e a deusa, representada pela serpente, passou a ser a morte, tão temida.

(excerto do livro A Senhora de Ofiúsa de Gabriela Morais)

 

O ser humano dedicado ao patriarcado divide tudo em dois. Não estou a falar da dualidade (premissa da vida no Planeta Terra), mas sim do conceito completamente patriarcal do “dividir para reinar”…

A Humanidade está dividida no “antes de cristo” e no “depois de cristo”… “antes da Mãe” e “depois do patriarcado”… Uma divisão tal, que a própria energia indivisível da Pachamama, da Mulher e do Homem se dividem em dois, mas é no género feminino que a cisão é fulcral…

De tal forma que a mulher está dividida entre a santa e a prostituta… Mais ainda! Até a serpente é passível de ser dividida entre a boa e a má, como se de um produto perecível se tratasse (antes estava no prazo, depois fica azedo!)…

E aqui reside uma grande tramóia patriarcal que divide tudo o que tem conotação menos famosa em dois – a serpente está dividida em duas… Lilith parece que também se divide em duas… a Mulher está condenada a ser duas… Aonde querem ir então os seres humanos devotos da cristandade que tanto defendem a divisão de tudo em dois? Estou em crer que é para reinar… dividir para reinar…

Seria tudo bem mais simples se as pessoas se informassem, lessem… Se dedicassem a estudar os livros e pergaminhos antigos, do tempo AC, com mais de 3 mil anos de idade, para que assim entendessem que a vida vai muito para além dos tempos em que os judeus andaram às turras uns com os outros e decidiram avançar com as divisões totais…

Seria bom que todos vissem filmes como o Ágora para perceber que o DC é macabro, sórdido e manipulador. Dos últimos dois mil anos de história da raça humana podemos contar com inúmeras guerras em nome do Cristo, uma caça às bruxas em nome da luta contra do Diabo e guerras mundiais com um ciclo de mortes incontáveis.

Então eu prefiro ir lá para trás… honrar a minha ancestralidade e permitir que as minhas células tirem a venda da ilusão quanto aos símbolos e signos. Descarto o linguajar dos tementes a Deus com as transcendências que ignoram as feridas do ego e mil vezes chamo a Serpente, energia crua da Grande Mãe que me dá a honra de todos os dias me nutrir e alimentar em consciência, lucidez, questionamento e verdade.

Já dizia Timothy Leary – pensa por ti, questiona a autoridade… E assim o faço pois é uma grande frase… chego ao ponto de questionar a minha própria autoridade apenas para me permitir a desconstruir e construir mais una e menos dividida. Um trabalho que urjo às mulheres a fazerem pois o trabalho que nos é pedido não é para termos figurinhas no altar para adorarmos (seja a serpente ou as santidades ou mestrias), mas sim para nos virarmos para dentro e transcendermos a humanidade deturpada que se quer alinhada.

Aho!

– Isabel Maria Angélica, 26-06-2015

Imagem por Sara Rica Gonçalves, no Retiro do Lammas, Agosto de 2014, no Lago de Dornes

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Encontro Circular No Ninho da Serpente a 20 de Junho em Terras de Lyz

Mulher

Quero convidar-te a fazeres parte deste encontro circular que nos irá celebrar a todas!
Desde Maio de 2013 que sou guardiã dos Círculos de Mulheres No Ninho da Serpente e tem sido um desafio e uma bênção abrir caminhos nestes trabalhos que nos permitem ir mais fundo em nós mesmas.
Não faço de novo. O Ninho da Serpente não é nada de novo. Orgulho-me disso até! Pois o que nós fazemos é resgatar as práticas ancestrais do feminino. Está tudo feito, só precisamos lembrarmos-nos disso…
Eu tenho 42 anos, sou casada. Sou Mulher. Sou Mulher Oráculo, Mulher Medicina. Sou Mulher que abre caminhos, mas que também anda a aprender a doçura… O equilíbrio entre o amor e a firmeza…

Vem circular, dançar, ri e emocionares-te connosco!

– Isabel Maria / Angélica

https://www.facebook.com/events/845233392218619/860692770672681/

Os Círculos de Mulheres

“Para transformar um grupo que já esteja formado em um círculo de mulheres sábias ou para criar um novo, a primeira consideração é quanto às participantes. Quem fará parte do círculo?
(…)
Preces silenciosas ajudam a centrar um círculo de mulheres sábias, cada uma fazendo a prece a seu modo, pedindo sabedoria, coragem, discernimento, compaixão.
Possa o melhor chegar ao círculo e dele sair.”

In AS DEUSAS E A MULHER MADURA
de Jean Shinoda Bolen

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