Arquivos

Encontro Circular No Ninho da Serpente a 20 de Junho em Terras de Lyz

Mulher

Quero convidar-te a fazeres parte deste encontro circular que nos irá celebrar a todas!
Desde Maio de 2013 que sou guardiã dos Círculos de Mulheres No Ninho da Serpente e tem sido um desafio e uma bênção abrir caminhos nestes trabalhos que nos permitem ir mais fundo em nós mesmas.
Não faço de novo. O Ninho da Serpente não é nada de novo. Orgulho-me disso até! Pois o que nós fazemos é resgatar as práticas ancestrais do feminino. Está tudo feito, só precisamos lembrarmos-nos disso…
Eu tenho 42 anos, sou casada. Sou Mulher. Sou Mulher Oráculo, Mulher Medicina. Sou Mulher que abre caminhos, mas que também anda a aprender a doçura… O equilíbrio entre o amor e a firmeza…

Vem circular, dançar, ri e emocionares-te connosco!

– Isabel Maria / Angélica

https://www.facebook.com/events/845233392218619/860692770672681/

Anúncios

O caminho da serpente… um caminho para dentro…

Já Fernando Pessoa escrevia sobre o caminho da Serpente. Antes disso, a Serpente era cultuada nos altares dos templos. Ainda muito antes disso, este território de Portugal era conhecido como a Terra de Ophiusa.

Falar da Serpente é ir à conexão elementar de todas as culturas xamânicas ancestrais da Terra. É conectarmos-nos com uma força representativa da Grande Mãe que é veiculada por uma linguagem não-verbal e com mais de 20 mil anos… Conseguem imaginar os primeiros homens e as primeiras mulheres a comunicar com a sabedoria da Serpente sem uma única palavra?

E este é que é o desafio – sentir e manifestar a sabedoria da Serpente, com os seus ciclos e manifestações circulares sem palavras, sem formatações, sem rótulos. Sem linguagens contaminadas por 5 mil anos de patriarcado, onde nem sequer a cristandade tinha nome.

A Serpente apareceu no meu caminho em Dezembro de 2010 quando as medicinas amazónicas me apresentaram ao princípio criador de todas as coisas. Veio a Anaconda, a Gibóia, a Naja… todas elas! Vieram receber-me e pôr-me à prova… Vomitei, mudei de pele (continuo a mudar vezes sem conta), questionando a minha mente e o ego, despindo-me das ilusões das memórias celulares e a conectarem-me com o mais profundo em mim – a minha humanidade.

Com as visitas constantes da Serpente no meu corpo de mulher, vi desmontadas TODAS as certezas absolutas e TODAS as verdades que sentia como fiéis… E fui fundo… vou fundo cada vez que abro um Círculo de Mulheres No Ninho da Serpente. Vou fundo desde que de forma pensada e estruturada abri o primeiro Círculo a 25 de Maio de 2013. Ao ponto de sermos uma só.

E é isso que me move – a conexão à minha humanidade, aliada à capacidade voraz que a Serpente tem de mergulhar vezes e vezes sem conta às profundezas de si mesma. E assim mergulho em mim, realizando as vezes que forem necessárias que nada sei perante os mistérios da Vida e da Morte que a Grande Mãe tão sabiamente manifesta através da Serpente. Os mistérios do Útero e do Sangue…

O que representa a Serpente não está acessível ao comum dos mortais, pois é necessário um Caminho Iniciático honesto e responsável que implica a desconstrução total da linguagem do patriarcado dentro de nós. É preciso apagar conceitos de família, amigos, hierarquias, mestres, parcerias, companheiros/as, filhos/as… TUDO é questionado no Caminho Iniciático da Serpente ou de qualquer outra energia manifestada pela Grande Mãe. A leviandade é punida, não por Deus ou a Deusa, mas sim pelas nossas próprias almas que não se compadecem com mais mistérios usurpados.

A mente mente. E até mente ao coração. É bom nunca nos esquecermos disso à medida que mudamos de peles. E estas peles doem ao sair. A nova pele dói até ficar regenerada. Daí todo o processo ser iniciático. A Serpente não se comunica por canal ou vidência. Ela entra nas células das iniciadas aptas a escutar com humildade os segredos da Criação. Sendo que Antes do Verbo era o Útero, como escreve a portuguesa Rosa Leonor Pedro. E já aqui há muita, mas muita pele a mudar até à compreensão real do que esta frase significa.

A Serpente é sagrada, tal como a Grande Mãe e todas as criaturas que nela habitam. E esta sacralidade não se coaduna mais com fanatismos, loucuras egóicas e sendas de salvadores. Esta sacralidade habita Pachamama há mais de 40 mil anos. E convém posicionar no tempo que o catolicismo foi iniciado há pouco mais de 2 mil anos. Contudo, o seu linguajar de tementes, com castigadores e castigados, ainda está presente nas nossas informações celulares e carregamos a herança da Serpente que foi punida do Éden… E essas podem ser limpas pela Serpente, mas será de esperar a morte dos conceitos, pré-conceitos e outro tipo de informações doentias que os nossos 70 triliões de células activas aqui e agora guardam. A Serpente chegará para cravar em nós as suas presas, morder e despejar o seu veneno… e ele mata ou cura. A escolha é nossa, conscientes da responsabilidade que a nossa Alma nos pede nestes tempos em que a lição da verticalidade é premente.

É arrogância do ser humano em achar-se acima das leis da Grande Mãe e considerar-se porta-voz Dela ou de alguma das duas Forças… pois não somos nós que a escolhemos. É Ela que elege os verdadeiros caminhantes que entram na sua floresta, tomam das suas medicinas (sejam elas quais forem) e curam o corpo, a mente, o coração e o espírito… Pois o caminho de ascensão é para dentro. Sempre para dentro… No escuro, no Seu útero, no vazio do nada e onde a mente inferior perde poder.

Mais há a escrever sobre o tema. A Serpente guiará. E humildemente continuo a apresentar-me ao serviço da minha guia interna, onde a Serpente e o Leão são os meus animais de poder. Honro-os, tal como honro o meu animal protector, o Dragão. Estas forças telúricas ajudam-me a trabalhar o Eu e assim conectar-me o Eu Superior. A ascensão é mesmo para dentro. Para dentro da nossa humanidade, com tudo o que isso implica.

Mudo de pele novamente. Aguardo o restabelecimento final.

– Isabel Maria/IsisBella/ Angélica, 29 de Maio de 2015

o caminho faz-se serpenteando

A Outra

Nós mulheres ainda estamos pagando nossas contas com o mundo patriarcal, pagando pelas que nos antecederam, e que se amalgamaram a esse sistema. Ainda somos as devedoras pelo crime da insubordinação cometido por nossa mãe Eva contra o Criador, pelos anseios que Sophia tinha por seu Amado, assim como ainda somos cativas da reação pelo medo e temor despertado por Lilith, a Bruxa Primordial, em nossos antepassados.

A quem Lilith ameaça? Às Instituições, ao casamento estabelecido, às regras, à submissão, ao sistema de valores advindos do patriarcado.

Fomos todas separadas e isoladas desde nossa mais tenra infância em boa ou má, feia ou bonita, desejável ou não desejável, casável ou titia, Lilith ou Eva, enquadrada ou bruxa, esposa ou a outra.

Nosso destino foi a dualidade e nos agarrando em uma das extremidades como em uma brincadeira de cabo de guerra, cada vez mais nos obstamos ao contato com o extremo oposto, nosso rival e amiga, uma parte de nós mesmas, agora encarada como nossa antagonista.

Tal qual Hera, a deusa-esposa do Olimpo grego, projetamos em uma outra tudo o que somos capazes de entender como o mal, e isentamos de culpa por seus erros, o masculino.

Uma vez mais ferindo, castrando, agredindo e amputando a nós mesmas, em proporções iguais, ou ainda maiores, do que o ambiente em volta e o sistema foram capazes de fazer por nós.

Carregamos o sistema de valores vigente em cada uma de nós, ele está em nós e atua por nosso intermédio.

Nos esquecemos do quanto necessitamos de nossa sombra, tão negligenciada, que se encontra lá na outra ponta na brincadeira de cabo de guerra.

Cada uma de nós, ao longo de nossa vida, precisa soltar a ponta do cabo, ir pouco a pouco enrolando a corda e ir se aproximando da aceitação plena de nossa sombra rejeitada, se almejamos nossa totalidade.

in wwwjaneladaalmablogspot.com

899e5846ae76bd8effb1f41bf3b4142c

A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO DA PSIQUE

Mulheres que iniciam a senda do feminino sagrado sem enfrentarem essa descida e que não tendo feito nenhum trabalho a nível da sua psique, sem uma consciência psicológica dos seus complexos e traumas, sem um qualquer trabalho interior, quando começam a entrar em contacto com a sua sombra sem nenhuma preparação, acabam por se sentir entrar como que no inferno…e a ver “cobras e lagartos” nas mulheres que lhes espelham o seu próprio poder ou fogo interior, sobretudo frente a outra mulher que a tenha já integrada…e então ou fazem o movimento de fuga inconsciente ou a perseguição caluniosa e predatória é iniciada porque essas mulheres se sentem acossadas pelos seus fantasmas…mas têm de ter um bode expiatório…e esse é um dos maiores dramas das relações entre mulheres, face à sua necessidade de evolução!!!

(…)
excerto de texto escrito em 2011, por Rosa Leonor Pedro

68605_3607052073957_2021802601_n