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Sobre os Círculos de Mulheres

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Se tu não passas à prática a cura que recebes nos Círculos de Mulheres em que participas, então tudo pára na tua vida, porque a consciência é a primeira transformação e aí vem a responsabilidade da mudança. Se com a consciência tu não fazes nada e ficas à espera que a vida aconteça, entras neste processo de inércia e letargia.

Nos Círculos de Mulheres trabalhamos todas as questões inerentes à nossa história de meninas, mulheres e anciãs. Contudo, normalmente, as mulheres apresentam-se na postura das meninas que tomam tudo pessoalmente, que levam a peito cada re-descoberta e não integram a consciência de Círculo em si mesmas e na Espiral da Grande Mãe. Apresentam-se como estando à espera que alguém venha fazer algo por elas (os salvadores) ou esperam que algo aconteça para justificar o boicote ao processo de forma a saírem zangadas com o Círculo.

Se nós estamos a fazer o caminho para nós próprias porque é que vamos ser salvas de nós mesmas? E porque é que não devemos assumir que o Círculo não é um caminho de salvação mas sim de integração, com tudo o que isso implica?

 

Cada uma de nós tem a ferramenta que se adequa à nossa história pessoal, e não foi algo que nos tenha sido passado ou que herdámos, mas sim é o resultado de uma busca interna. Mas essa busca interna é que faz a integração. 

por Isabel Maria Angélica (Tenda Vermelha de 17.Fev.2016, Vairão, Portugal)

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Encontro Circular No Ninho da Serpente a 20 de Junho em Terras de Lyz

Mulher

Quero convidar-te a fazeres parte deste encontro circular que nos irá celebrar a todas!
Desde Maio de 2013 que sou guardiã dos Círculos de Mulheres No Ninho da Serpente e tem sido um desafio e uma bênção abrir caminhos nestes trabalhos que nos permitem ir mais fundo em nós mesmas.
Não faço de novo. O Ninho da Serpente não é nada de novo. Orgulho-me disso até! Pois o que nós fazemos é resgatar as práticas ancestrais do feminino. Está tudo feito, só precisamos lembrarmos-nos disso…
Eu tenho 42 anos, sou casada. Sou Mulher. Sou Mulher Oráculo, Mulher Medicina. Sou Mulher que abre caminhos, mas que também anda a aprender a doçura… O equilíbrio entre o amor e a firmeza…

Vem circular, dançar, ri e emocionares-te connosco!

– Isabel Maria / Angélica

https://www.facebook.com/events/845233392218619/860692770672681/

Os Círculos de Mulheres

“Para transformar um grupo que já esteja formado em um círculo de mulheres sábias ou para criar um novo, a primeira consideração é quanto às participantes. Quem fará parte do círculo?
(…)
Preces silenciosas ajudam a centrar um círculo de mulheres sábias, cada uma fazendo a prece a seu modo, pedindo sabedoria, coragem, discernimento, compaixão.
Possa o melhor chegar ao círculo e dele sair.”

In AS DEUSAS E A MULHER MADURA
de Jean Shinoda Bolen

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O caminho da serpente… um caminho para dentro…

Já Fernando Pessoa escrevia sobre o caminho da Serpente. Antes disso, a Serpente era cultuada nos altares dos templos. Ainda muito antes disso, este território de Portugal era conhecido como a Terra de Ophiusa.

Falar da Serpente é ir à conexão elementar de todas as culturas xamânicas ancestrais da Terra. É conectarmos-nos com uma força representativa da Grande Mãe que é veiculada por uma linguagem não-verbal e com mais de 20 mil anos… Conseguem imaginar os primeiros homens e as primeiras mulheres a comunicar com a sabedoria da Serpente sem uma única palavra?

E este é que é o desafio – sentir e manifestar a sabedoria da Serpente, com os seus ciclos e manifestações circulares sem palavras, sem formatações, sem rótulos. Sem linguagens contaminadas por 5 mil anos de patriarcado, onde nem sequer a cristandade tinha nome.

A Serpente apareceu no meu caminho em Dezembro de 2010 quando as medicinas amazónicas me apresentaram ao princípio criador de todas as coisas. Veio a Anaconda, a Gibóia, a Naja… todas elas! Vieram receber-me e pôr-me à prova… Vomitei, mudei de pele (continuo a mudar vezes sem conta), questionando a minha mente e o ego, despindo-me das ilusões das memórias celulares e a conectarem-me com o mais profundo em mim – a minha humanidade.

Com as visitas constantes da Serpente no meu corpo de mulher, vi desmontadas TODAS as certezas absolutas e TODAS as verdades que sentia como fiéis… E fui fundo… vou fundo cada vez que abro um Círculo de Mulheres No Ninho da Serpente. Vou fundo desde que de forma pensada e estruturada abri o primeiro Círculo a 25 de Maio de 2013. Ao ponto de sermos uma só.

E é isso que me move – a conexão à minha humanidade, aliada à capacidade voraz que a Serpente tem de mergulhar vezes e vezes sem conta às profundezas de si mesma. E assim mergulho em mim, realizando as vezes que forem necessárias que nada sei perante os mistérios da Vida e da Morte que a Grande Mãe tão sabiamente manifesta através da Serpente. Os mistérios do Útero e do Sangue…

O que representa a Serpente não está acessível ao comum dos mortais, pois é necessário um Caminho Iniciático honesto e responsável que implica a desconstrução total da linguagem do patriarcado dentro de nós. É preciso apagar conceitos de família, amigos, hierarquias, mestres, parcerias, companheiros/as, filhos/as… TUDO é questionado no Caminho Iniciático da Serpente ou de qualquer outra energia manifestada pela Grande Mãe. A leviandade é punida, não por Deus ou a Deusa, mas sim pelas nossas próprias almas que não se compadecem com mais mistérios usurpados.

A mente mente. E até mente ao coração. É bom nunca nos esquecermos disso à medida que mudamos de peles. E estas peles doem ao sair. A nova pele dói até ficar regenerada. Daí todo o processo ser iniciático. A Serpente não se comunica por canal ou vidência. Ela entra nas células das iniciadas aptas a escutar com humildade os segredos da Criação. Sendo que Antes do Verbo era o Útero, como escreve a portuguesa Rosa Leonor Pedro. E já aqui há muita, mas muita pele a mudar até à compreensão real do que esta frase significa.

A Serpente é sagrada, tal como a Grande Mãe e todas as criaturas que nela habitam. E esta sacralidade não se coaduna mais com fanatismos, loucuras egóicas e sendas de salvadores. Esta sacralidade habita Pachamama há mais de 40 mil anos. E convém posicionar no tempo que o catolicismo foi iniciado há pouco mais de 2 mil anos. Contudo, o seu linguajar de tementes, com castigadores e castigados, ainda está presente nas nossas informações celulares e carregamos a herança da Serpente que foi punida do Éden… E essas podem ser limpas pela Serpente, mas será de esperar a morte dos conceitos, pré-conceitos e outro tipo de informações doentias que os nossos 70 triliões de células activas aqui e agora guardam. A Serpente chegará para cravar em nós as suas presas, morder e despejar o seu veneno… e ele mata ou cura. A escolha é nossa, conscientes da responsabilidade que a nossa Alma nos pede nestes tempos em que a lição da verticalidade é premente.

É arrogância do ser humano em achar-se acima das leis da Grande Mãe e considerar-se porta-voz Dela ou de alguma das duas Forças… pois não somos nós que a escolhemos. É Ela que elege os verdadeiros caminhantes que entram na sua floresta, tomam das suas medicinas (sejam elas quais forem) e curam o corpo, a mente, o coração e o espírito… Pois o caminho de ascensão é para dentro. Sempre para dentro… No escuro, no Seu útero, no vazio do nada e onde a mente inferior perde poder.

Mais há a escrever sobre o tema. A Serpente guiará. E humildemente continuo a apresentar-me ao serviço da minha guia interna, onde a Serpente e o Leão são os meus animais de poder. Honro-os, tal como honro o meu animal protector, o Dragão. Estas forças telúricas ajudam-me a trabalhar o Eu e assim conectar-me o Eu Superior. A ascensão é mesmo para dentro. Para dentro da nossa humanidade, com tudo o que isso implica.

Mudo de pele novamente. Aguardo o restabelecimento final.

– Isabel Maria/IsisBella/ Angélica, 29 de Maio de 2015

o caminho faz-se serpenteando