Archive | Fevereiro 2016

A Voz das 13 Avós

As mulheres guardam no mais profundo das suas células o conhecimento do divino feminino, asseguram as Avós.
Como os seus corpos estão sujeitos aos ciclos da Lua e da Estrelas, a sabedoria das mulheres está conectada com os mesmíssimos céus.
A sua sabedoria natural respeita os ritmos do nascimento, a vida e a morte são muito mais amplos do que qualquer homem sabe e não deveria nunca estar sujeita a nenhuma religião nem às leis judiciais.
Recordem-se, dizem as Avós, que as mulheres são abençoadas. Somos infinitamente sábias, criadoras e geradoras de vida, as portadoras da semente dos filhos da Terra.
Devemos ser fortes e caminho com o nosso poder e o nosso conhecimento inato com as protecção dos 4 pontos cardeais.
Com o mundo à beira da destruição, as mulheres devem despertar esta grande força que possuem e devolvê-la ao mundo com paz e harmonia.
Quando homens e mulheres colocarem em movimento esta força transformadora feminina de amor incondicional que carregam em si, irá acontecer a mudança e uma grande cura.

– A Voz das 13 Avós
(retirado do Facebook)

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A RAIVA RESIDUAL…

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A raiva residual de antigas feridas pode ser comparada aos efeitos traumáticos de um ferimento por estilhaços. A pessoa pode conseguir catar praticamente todos os pedaços de metal estilhaçado do míssil, mas os caquinhos menores permanecem. Seria de se pensar que, se a maioria foi retirada, tudo bem. Mas não é assim. Em certas ocasiões, esse caquinhos minúsculos se torcem e retorcem, causando uma dor semelhante à do ferimento original (o ferver da raiva) mais uma vez. Não é, porém, a imensa raiva original que provoca esse jorro, mas são ínfimas partículas dela, elementos irritantes deixados na psique que nunca são completamente eliminados. Eles causam uma dor que é quase tão intensa quanto a do ferimento original. É assim que a pessoa se retesa, temendo o golpe violento da dor e, de fato, gerando mais dor. Eles se envolvem em manobras drásticas em três frentes: uma que tenta conter o evento objetivo; uma que tenta conter a dor que se espalha , a partir do antigo ferimento interno; e uma terceira que tenta garantir a segurança da sua posição mergulhando de cabeça numa posição psicológica de defesa. É demais pedir a um único indivíduo que enfrente o equivalente a um bando de três e tente no cautear todos eles ao mesmo tempo.

É por isso que é imperativo parar no meio de tudo isso, recuar e procurar a solidão. É demais tentar lutar e lidar ao mesmo tempo com a sensação de que se foi atingido nas vísceras. A mulher que escalou a montanha retira-se, trata do evento anterior em primeiro lugar, em seguida do evento mais recente, toma decisões acerca da sua posição, sacode o pêlo, ergue as orelhas e volta a aparecer para agir com dignidade. Nenhuma de nós pode fugir inteiramente da nossa história. Sem dúvida, podemos mantê-la num segundo plano, mas ela está ali do mesmo jeito. No entanto, se você quiser agir em seu próprio benefício, você superará a raiva e acabará se acalmando e se sentindo bem. Não perfeita, mas bem. Você será capaz de seguir em frente. Ficará para trás o tempo da raiva em estilhaços. Cada vez você lidará melhor com ela, pois saberá quando chegar a hora de voltar a procurar a curandeira, de escalar a montanha, de se livrar das ilusões de que o presente é uma reapresentação exata e calculada do passado. A mulher lembra-se de que pode ser feroz e generosa ao mesmo tempo. A raiva não é como o cálculo renal — se esperarmos tempo suficiente, a dor passa. Não e não. Você precisa tomar a atitude correta. Só assim ela passará, e sua vida será mais criativa.
(…)

CLARISSA PINKOLA ESTEES
in MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS

As minhas irmãs cheiram a sálvia por Sónia Gonçalves

Hoje pus na mala a minha saia branca e ao fazê-lo o aroma suave da sálvia encontrou o caminho para o meu nariz. A sálvia. A sálvia e as minhas irmãs. As minhas irmãs cheiram a sálvia. As minhas irmãs são feitas de sálvia. Nós somos sálvia.

E a saia lá se aconchegou tranquilamente mas não sem antes me apaziguar: “não te preocupes é só por um tempo, um pequeno e curto período de tempo, porque eu estou em ti, na realidade nunca saí de ti, as tuas irmãs também não. Tens cada uma bordada nos folhos de mim mesma e quando giras nas rodas antigas de tempos ainda mais antigos são elas que giram contigo e te fazem girar e me fazem esvoaçar. São elas que me levantam no ar em cada rodopio que dou, que dás, que damos. E nos teus pés descalços está gravada a memória das batidas da terra, das batidas da Mãe, por isso não te preocupes, é só por um momento que na realidade não existe porque os momentos são uma invenção dos homens e tu não és regida pela lei do Homem, a tua lei vem da Mãe e do Pai que viveram antes da vida e da morte, a tua lei não se verga à vontade daqueles que se têm como vergadores, a tua lei É e por isso está fora do alcance de tudo isso. Não tenhas medo. O tempo está a voltar. O sangue que sobe é também o sangue que desce. O tempo está a chegar. O tempo está a chegar. E as irmãs vão-se levantar e a terra vai gritar porque as filhas vão acordar e Mãe vai-se abrir como outrora abriu com um grito de prazer antigo, muito antigo do tempo antes do tempo e no dia do grito as filhas vão saber que a mãe acabou de nascer, uma vez mais, e que o tempo está a voltar. Eu sou a tua saia. Eu sou a batida do teu chão. Eu sou o canto do teu ventre. Eu sou o tremor das tuas pernas. Eu sou o que Sou e aqui te digo, as Filhas estão a acordar. E quem quiser ouvir que ouça porque eu falo aquilo que falo. O tempo está a voltar.”

Texto de Sónia Gonçalves escrito após o Retiro de Imbolc No Ninho da Serpente, a 6 e 7 de Fevereiro, em Terras de Lyz

Fotografia por Sara Rica Gonçalves

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