Archive | Janeiro 2016

Leão eu sou

Ontem, dia 24 de Janeiro de 2016, foi Lua Cheia em Leão. E eu, no meu mapa astral, sou Ascendente Leão, e tenho Mercúrio e Marte na casa 5 de Leão potenciados no fogo do Sagitário. Para além disso, um dos meus animais de poder é o Leão. Para alguns isto não diz nada, mas para mim serve de introdução à reflexão que me tem sido dada a fazer desde sábado à tarde.

Um dos meus grandes desafios enquanto mulher e ser humano sempre foi a gestão do poder pessoal – que autoridade sou em mim mesma, como manifesto isso, como lido com as minhas feridas, como lido internamente com o meu Sol e como o apresento. Passei DÉCADAS a tentar entender-me, ocupando tempo e espaço a fazer o que eu achava que os outros esperavam de mim, pois na realidade eu apenas queria ser amada e queria ser consensual.

Enchi-me de expectativas, esvaziei-me de energia, alimentei-me da tristeza depressiva e houve tempos que a minha vítima/agressora/manipuladora esteve bem patente na forma como eu agia para mim e como me relacionava com os que me rodeavam.

Até que, a partir de 2007, fui chamada a um novo compromisso interno que em 2011 atingiu o seu expoente. Nesse entretanto, a convite de trabalhos de consciência bem profundos dentro do meu EU HUMANO, fui descascada, despida, exposta, humilhada, confrontada, vomitei, gritei e sabe a Mãe lá mais o quê… o meu EU, tal como eu o mantinha até então, foi desmascarado sem dó nem piedade. Chorei (e ainda choro) muitas mágoas, entendi os rancores e comecei a abraçar as minhas raivas. Percebi conscientemente a origem de muitas dores e as que não entendi deixei em solo fértil para ir nutrindo. Percebi que tenho resistências, sou teimosa e vaidosa. Para depois perceber que nada disso é bom ou mau, pois quem decidia e decide o que fazer com isso sou eu, uma vez que, na realidade, sou responsável por mim.

E hoje, chegada a este dia de 2016, com a Lua Cheia a iluminar o meu EU e a minha matriz interna de Leão, posso dizer que estou muito orgulhosa e vaidosa do meu caminho e da forma como tenho vindo a recolher em mim mesma todos os meus aspectos. Estou muito feliz pelo que vou fazendo comigo. Tem sido um caminho difícil, oh se tem! Mas o mérito é essencialmente meu e que partilho com aqueles que me amam para me irem mostrando mais sobre mim.

Tenho tudo feito dentro de mim? Não… Ainda falta tanto para fazer, mas tenho ainda muitos passos para dar no caminho que sou eu mesma. Contudo, posso agora parar neste ponto do caminho, olhar para trás e estar feliz pelo que já percorri. E o que eu percorri só a mim me diz respeito e tenho muitas oportunidades de ir partilhando com aqueles que me querem ouvir. Não uso máscaras, mas também não me exponho a qualquer um, apesar do papel visível que assumo no meu dia-a-dia.

Aqui estou a sentir-me feliz, orgulhosa e vaidosa a perceber que ando a tomar tempo para mim como nunca fiz na vida, que sou senhora da minha vida, que já não me vou prendendo ao que os outros esperam de mim, cada vez estou mais fiel aos meus tempos e necessidades do meu corpo, coração, mente e espírito. E nesta Lua Cheia também percebi que isso incomoda muita gente. Algumas pessoas percebem o espelho que sou de determinação e até de exuberância e tentam trabalhar isso dentro de si mesmos/as, pois é algo acessível a qualquer um/a. Mas outras pessoa ficam tão irritadas e incomodadas que em vez de se observarem começam a tecer considerações, julgamentos e sabe lá a Mãe o quê sobre mim, esquecendo que ao me apontarem o dedo se deveriam recordar que sou um espelho. Tal como cada um o é para mim. E com os espelhos que uns e outros me mostram, percebo a necessidade imperiosa de não abdicar de mim, do meu tempo e do meu espaço. Pois a rainha e senhora deste império interno do meu Coração sou eu.

Esta Lua Cheia de Leão recorda-me vezes e vezes sem conta que estamos no ano da VIVÊNCIA DA RESPONSABILIDADE. Cada um é o actor principal da peça da sua vida. E cada um deverá escolher em todos os intantes quem quer ser – o eu real, em busca de si mesmo/a, ou o eu fictício que é vítima, manipula, se submete, acata, cala ou se zanga. As cartas estão dadas mas quem lança os dados somos nós – cada um de nós.

Quanto ao meu leão interno sinto-o saudável e altivo, com uma juba dourada bem bonita e um rugir poderoso e audível. Sou eu esse leão que se apresenta tal como é, pois sei que não posso fugir de mim mesma e da consciência que carrego. Sou firme e assertiva. Sou implacável mas justa. Sou protectora e guardiã. E faço-o de dentro para fora, pois tenho-me dado ao trabalho de me conhecer.

Isabel Maria Angélica
25 de Janeiro de 2016

Aslan

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A história do porquê das mulheres terem ÚTERO

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Uma história medicinal que toda mulher deve ler para recuperar a sua essência, as suas raízes e o significado de sua existência.
 
Este conto conta uma história muito, muito antiga, que muitos já não se lembram, ou que muitos já não falam, antes de os humanos aparecerem com duas pernas no chão, onde todas as mulheres, antes de serem mulheres, eram árvores e, como tal, tinham raízes que as tornavam unas com a Mãe Terra, mãos largas e casacos feitos de troncos, com longos cabelos que se cobriam de folhas, frutos e aves que cantavam na Primavera.
 
Elas viviam nos mais belos recantos, nutriam-se de sol, água e vento e jamais estavam sozinhas, pois rodeavam-nas todas as criaturas da floresta terrestre, a mais mágica podes imaginar. Da mesma forma, as guardava e nutria a mais sábia de todas as árvores, que elas chamaram de “Árvore Avó,” uma árvore muito antiga que conhecia todos os segredos da vida e da morte, e sempre que qualquer árvore-mulher de qualquer parte do mundo ficava doente, comunicava com a Árvore Avó através de suas raízes para se curar.
 
As mulheres árvore tinham poderes mágicos, elas comunicavam sem usar palavras, moviam os elementos sem ter mãos e podiam sentir todos os seres da Natureza através de uma rede profunda que formavam com as suas raízes dentro da terra.
 
Um dia, muito tempo depois, chegaram à Terra os humanos de duas patas, algo aconteceu e começaram os tempos de guerra, morte e destruição, alguns diziam que por causa da ambição do reino, o poder e a riqueza. Foi uma época terrível, onde muitas mulheres árvores foram transformadas em madeira e queimadas como uma forma de gerar calor. Assim, para manter vivas as suas filhas, a Avó permitiu que as árvores se desenraizassem e tivessem pés para poderem correr e esconderem-se longe do perigo. As mulheres árvores deveriam assim aprender a andar e a sobreviver por conta própria, em troca tiveram de perder as suas raízes e a sua conexão com a Mãe Terra e a todos os seres vivos, o que lhes causou grande dor e tristeza, mas esta foi a única maneira de sobreviverem e preservarem a tradição das mulheres árvore.
 
Quem me contou esta história diz que passaram muitos séculos até que a guerra pelos reinos terminou, e nela muitas mulheres árvore morreram de tristeza, pois não suportaram a solidão e o desenraizamento, outras se esqueceram de quem eram e aprenderam a viver com os humanos de duas patas e perderam os seus poderes e habilidades mágicas. Mas havia um outro grupo de mulheres árvore que foram distribuídas pelo mundo e, apesar de se separarem, prometeram nunca deixarem de serem quem eram e de conservar na memória mais profunda de DNA tudo o que elas aprenderam com a Árvore Avó. Este grupo de mulheres árvore comprometeu-se a reencontrar-se em todas as vidas seguintes, mantendo muito bem guardado o segredo das suas origens e poderes.
 
A Avó, também desejando não se separar deste bosque de donzelas, e num acto de amor profundo pelas suas filhas, abençoou todas as mulheres com uma árvore no seu ventre e esta árvore transformou-se naquilo que é hoje o nosso útero. Assim, todas as mulheres podem recuperar o seu enraizamento com a Mãe Terra nutrindo-se com o seu amor, pois o útero é a âncora da sua verdadeira essência. A partir dele está a forma de recuperar a razão mais primordial de ser mulher. E o maravilhoso desta bênção da Árvore Avó é que tenhamos ou não útero físico, teremos sempre o útero energético que nunca nada nem ninguém nos poderá retirar.
 
Esta é uma história muito, muito antiga, e muitos dizem que neste momento a Avó Árvore está a chamar em alto e bom som pelas suas filhas. Tanto é que se abraçares a árvore mais antiga do bosque e encostares o teu ouvido ao seu trono, ela te contará os segredos das mulheres árvore, te encherá de todo o seu amor e te doará toda a sua medicina ancestral. E a partir daí nunca mais estarás desconectada da Avó Árvore. O teu útero recuperará as suas raízes e caminharás sempre ancorada à Terra. Fim.
 
Toda a mulher que hoje possa estar a sentir uma ferida ancestral e um vazio emocional profundo sem explicação, é sinónimo de que tomou consciência que perdeu a sua raiz ancestral à Mãe Terra e à Avó Árvore. A forma de recuperar a alegria, o sentido da existência e o amor de ser mulher requer um regresso ao enraizar do útero na Terra, e isso passa por tomar consciência de que somos mulheres árvore e que em cada momento há uma rede invisível abaixo dos nossos pés que nos conecta a um sem fim de memórias ancestrais. Quando uma mulher está a sangrar a partir do seu ventre, toma consciência desta perda ancestral que lhe traz tristeza, vazio e a sensação de que lhe falta algo. Quando um homem faz amor com uma mulher, pode sentir por segundos o êxtase de estar conectado em unidade com o todo.
 
Desde relembrar que desde os nossos pés crescem raízes invisíveis que nos conectam a uma grande rede, um grande corpo energético, que são todos os seres vivos da Terra, mas que deves activar essas raízes que te conectarão a todas as mulheres, homens, animais, insectos, vegetais, minerais e aos elementos. Pois o nosso útero está conectado a um útero ainda maior, o útero primordial, aquele que dá à luz desde o início dos tempos a tudo o que é conhecido e desconhecido. Enraizar o nosso útero também tem muita relação com o recuperar da consciência e sabedoria da Terra, de menstruarmos de forma consciente e respeitar a vida em todos os sentidos.
 
Todos os úteros físicos ou energéticos que permaneçam sem esta conexão à Mãe Terra está suspenso no vazio e a mulher que o carrega sentir-se-á seca e sem vida. Recuperar a consciência raiz do útero é regressar ao sentido primordial da vida.
 
Com amor a todas aquelas que ainda não encontraram o sentido da sua existência, pois como mulher cheguei a experimentar esse vazia durante muito tempo na vida. Quando eu eu enraizei pela primei vez o meu útero à Terra, eu senti-me viva e recordei muitas memórias de dor que as minhas ancestrais sentiram e que eu deveria transmutar. Percebi que há uma ferida ancestral que todas carregamos e para curá-la é importante que as mulheres se unam e recordemos todas as nossas histórias e lembremos a magia que nos habita. Só desta forma pode também Mãe Terra para curar as suas feridas e os homens podem acompanhar-nos e serem guardiões desta evolução.
 
Por Ximena Hernandez Noemi Avila
 
Esta história nasceu das profundezas das minhas memórias uterinas e foi escrita nos meus dias de lua, por isso se vais levá-la e copiá-la para a tua página peço-te que identifiques onde a obtiveste. Muito obrigada.
 
Que a tua vida se inunde de amor
 
Texto traduzido para português por Isabel Maria Angélica