Archive | Agosto 2015

As coisas são o que são…

Não te culpes nem te desculpes. As coisas são ou não são, e assim têm de ser vistas.
– in A Senhora de Ofiúsa

A experiência do ser humano na Terra é inerente ao sentir e ter dor. Sentimos e temos dor e essa acompanha-nos desde que nascemos até que morrermos. E as mulheres são ainda mais vividas nesta questão da dor – elas parem em dor os seus filhos, a alma e corpo doem-lhes a vida toda e morrem em dor.

Contudo, as dores das mulheres forem colocadas no saco da esquizofrenia, bipolaridade e loucura. Nasce assim, a partir da vigência patriarcal de viver na Terra, uma forma de ir transformando as coisas sagradas da mulher em actos de loucura e descompensação.

Assim, de século em século, de vida em vida, nos nossos corpos e almas vamos acumulando experiência de dor (seja enquanto homens ou enquanto mulheres) para chegarmos aqui, ao dia 7 de Novembro de 2014, e vermos num bandeja a profundidade de dor que carregamos. Um processo que está carregado de conceitos, arquétipos, branqueamentos e fugas, pois somos ensinadas que não é preciso chorar, que as meninas devem engolir dores e temos que ser as super mulheres… o tempo todo… porque se choramos ou manifestamos a dor que nos percorre somos catalogadas de descompensadas, meio loucas ou com exclamações como “lá estás tu com essas coisas!”… Aliás, as próprias mulheres são peritas em apontar à outra que “coitada, não bate com a bola toda”, só porque vê a outra em dor.

E passamos então uma vida inteira a experimentar os extremos – anulamos a dor porque queremos corresponder a um parâmetro social e educacional ou vivemos a depressão profunda de uma dor não manifestada que muitas vezes nem sequer sabemos de onde vem. Criamos máscaras e mecanismos para aparentar algo que na realidade não é.

Caminhamos então na expectativa de que alguém nos entenda. Que alguém nos oiça. Que alguém nos receba no colo e apenas para chorar, sem mais… sem conceitos, arquétipos ou branqueamentos. E quando finalmente isso surge no âmbito de um círculo ou de partilhas, nem sempre conseguimos aceitar incondicionalmente a experiência da transcendência da dor. Ficamos divididas entre a liberdade de podermos sublimar, confrontando a vítima que foi alimentada por séculos de alimento energético umbralino, ou deixamos-nos levar ainda pelo magnetismo que essa zona de conforto nos pede.

Perante a perspectiva de rendição e entrega da compreensão da dor, teremos então duas opções mais imediatas – acolher a perspectiva da cura em amor para a transcendência da dor, sabendo que caminhamos para algo desconhecido, ou acolher viver a perspectiva de que a dor e o seu culto é um lugar de segurança, pois já é conhecido. São duas opções totalmente distintas como ponto de partida e chegada e é importante compreendermos isso, de forma lógica, racional e até emotiva e visceral.

O culto à dor é aquele íman que nos puxa para o umbral negro da confusão dolorida em que rodopiamos sem fm no “e se”, “será que”, “se calhar”. Perpetuamos o discurso do “vamos lá a ver se consigo”, perpetuando o registo do culto à dor que alimenta uma vitimização subtil que ao mesmo tempo é manipuladora e carrasca. Acima de tudo, de nós mesmas e que se encaixa nas outras mulheres como fios invisíveis e quase imperceptíveis. O culto à dor é o que fazem os mexicanos na celebração da Páscoa, em que simulam o que Jesus terá passado

A transcendência da dor é a libertação. Sabemos que choramos e confrontamos a dor nas perspectiva real e efectiva de a libertar. A dor dói ao entrar e também dói ao sair. Ponto. E não vale a pena branquear este facto, tal como não vale a pena branquear o parto em que uma mulher prefere receber uma epidural para não sentir dor num dos momentos mais profundos e iniciáticos para si e para um bebé que vem ao mundo.

Sim, a dor faz parte das nossas vidas que se manifestam em experiências na matéria e a escolha é totalmente nossa sobre o que queremos fazer com ela. Ponto. E aqui reside a real VERDADE que desejamos assumir definitivamente para as nossas vidas. Ponto. E a partir dessa verdade virá o amor, a paz, a alegria, a celebração que também trarão a consciência de dor, tristeza, raiva, etc. Mas estas já não serão âncoras de existir. Serão sim pontos de cura a tocar.

A alma acumula experiência há milhares de anos. Não podemos acreditar levianamente que fomos apenas almas boazinhas. Contudo, a alma também acumula dons e à medida que nos libertamos da dor, somos confrontadas que temos ferramentas (dons) de transformação e alquimia. Podemos insistir e fazer de conta que esses dons não existem e continuar a perpetuar o discurso e sentir de “vamos lá a ver se consigo”. Mas isso será hipócrita e desvirtuar um trabalho que literalmente nos sai do sangue, suor e lágrimas. A todas, sem excepções.

Portanto, não te culpes nem te desculpes, pois as coisas são o que são. E quanto mais lineares nos tornamos nesta forma de assumir a verdade e a vida, mas lineares e menos complicadas nos tornamos em lidar com os caminhos da dor que queremos que se tornam em caminhos de transcendência e liberdade. E isto não se vive nem na mente (que mente) nem no espírito. Vive-se nas emoções e no corpo.

.: Texto escrito a 7 de Novembro de 2014 por Isabel Maria Angélica :.

rosa de sangue

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Compromisso

Compromisso significa a determinação em permanecer fiel ao seu propósito ao longo dos inevitáveis altos e baixos do caminho. 

– Robin Carnes e Sally Craig em SACRED CIRCLES

  

Circulos

Círculos de Mulheres podem ser vistos como um movimento evolucionário e revolucionário que está escondido por trás de uma imagem aparente: parece ser apenas um grupo de mulheres reunidas, mas cada mulher e cada Círculo está contribuindo para algo muito maior.” 
– Jean Shinoda Bolen

Fotografia por Sara Rica Gonçalves, Retiro de Lammas No Ninho da Serpente, 1 e 2 de Agosto de 2015 em Terras de Lyz

  

Sincronia da Serpente e das Águas Vermelhas

A Serpente é uma incorporação do sincronismo entre mulheres menstruadas. A Serpente “engole” as mulheres menstruadas. O interior da Serpente é uma replica do útero da Mãe. Grupos inteiros de mulheres são engolidas pela Serpente. O mito, entre outras coisas, traz à consciência da ligação entre todas as mulheres que os seus sangues menstruais são o mesmo, que todo o sangue é sangue menstrual. 
– com base na história das Irmãs Wawilak descrita no livro Blood, Bread and Roses de Judy Grahn

  

A 3a Visão e o Sangue Menstrual

O ponto vermelho que as mulheres indianas pintam no seu terceiro olho é um símbolo do sangue menstrual.
Originalmente, as mulheres pintavam o seu terceiro olho com o própria sangue menstrual e a magia do sangue abria o sexto chacra (centro energético associado a visão espiritual e psíquica).
O aspecto visionário da menstruação esta claramente invocado por esta prática.
O sangue transporta-o até as células do corpo e por isso o sangue contem o conhecimento do código genético (ADN).
O código genético e a linhagem familiar estão contidos na corrente sanguínea.
Cada célula do corpo é um microcosmo do todo.
Quando pintamos o nosso terceiro olho com o nosso sangue, abrimos-nos ao conhecimento oculto de este código genético.
Esta informação inclui um profundo conhecimento ancestral e pode trazer uma compreensão dos nossos próprios padrões familiares e os do género humano.
Todos trazemos dentro o conhecimento de todas as gerações de seres humanos que existiram.
Oculta neste código genético há uma massa de informação reunida através da história.
Ocasionalmente, a informação fica adormecida e as vezes deseja aflorar de novo.
Estamos vivendo uma época em que o conhecimento da terra e da mulher, esta regressando a consciência colectiva e através do nosso sangue podemos entrar nela.
A próxima vez que sangrares, tenta relacionar-te conscientemente com o teu sangue.
Tenta pintar um pequeno ponto vermelho entre os teus olhos e observa como o conhecimento da terra e dos teus ancestrais flui até a tua consciência.
Pinta um ponto vermelho no teu terceiro olho antes de ir dormir para aumentar os teus sonhos.

Extracto do livro “Her blood is gold” de Lara Owen (tradução Aida Suárez)

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Escrito a 3 de Outubro de 2014…

Começo a tomar muita consciência que o que andamos a fazer com os mini-encontros, encontros e retiros dos Círculos de Mulheres – No Ninho da Serpente é algo profundamente transformador para todas as que sentem o chamado da Mulher em si mesma e da Mãe que nos vibra em todas as células do nosso Ser. 
Ser Mulher e manifestá-lo em Consciência e Responsabilidade requer Foco e Tempo. Não é algo que se faça como um hobby. Ser Mulher não é um part-time. É algo que somos a tempo inteiro e por isso precisamos de ter presente que não podemos pôr a nossa Mulher em pausa. Somos Mulheres e depois a partir daí cumprem-se outros papéis como o de esposas, trabalhadoras, mães, criativas, etc. Mas antes de tudo somos Mulheres e é com isso presente que assim começamos a deixar de ter espaço para o procrastinar e cuidarmos da pessoa mais importantes das nossas vidas – nós mesmas! 

Tendo esta consciência como base convido-vos a todas a meditarem e a respirarem para isto que acabo de vos transmitir. Pois esta será a bitola com a qual me irei reger neste grupo – irei estar sempre atenta a quem está aqui e a quem participa. Somos um Círculo e cada uma de nós tem um papel neste Círculo. Então percebam bem se é para cada uma de vós sério este compromisso de estarem a dedicar tempo a vocês mesmas e a este Círculo. 

Sei por observação e sentir que há mulheres que estão empenhadas em si mesmas. Poderia nomear-vos. E também sei que há outras que entendem que o que aqui tratamos não é prioridade nas vossas vidas. E está tudo bem para qualquer um dos casos. 

Os mini-encontros quinzenais em Lisboa vão passar a chamar-se de A Tenda Vermelha No Ninho da Serpente. As mulheres que têm participado nestes trabalhos SENTEM o que vos estou aqui a escrever. 

Os encontros ocasionais serão os Encontros de Sabedoria onde bebemos da inspiração de outras Mulheres. Estes estão a acontecer em Lisboa e Portalegre. 

Os Retiros são lugares de aprofundamento de consciência e trabalho mais profundo. Estão a acontecer em Terras de Lyz e quem se tem permitido a esta Alquimia também sabe do que estou a falar. 

Em breve sairá um trabalho semanal online No Ninho da Serpente. 

No Ninho da Serpente está a ser alimentada a responsabilidade de que esta é uma escola para a Mulher. Sem vaidades nem pretensões, mas sim com muito Foco de assumir um chamado que é da Minha Mulher para as outras Mulheres onde a Mãe nos pede humildade e vaidade. Parece impossível conjugar estes dois argumentos na mesma frase, mas reflictam no que isso pode significar verdadeiramente. 

Este grupo aqui no facebook é bastante reservado e fechado, como percebem. Não quero aqui muitas mulheres para fazerem número. Quero sim Mulheres Conscientes. Sintam-se livres de estar, mas por favor alimentem o Círculo. Seja ele físico ou aqui na virtualidade pois as distâncias físicas nem sempre ajudam. Mas quero-vos aqui em consciência que vos amo muito e honro o trabalho que fazem. 

É sim. Hoje estou cheia de amor por nós.