Archive | Julho 2015

O dom de se nascer mulher e parteira

Dona Flor não participa de grupos de mães na internet. Nem está no Facebook – na comunidade onde ela mora, Moinho, próximo a Alto Paraíso, em Goiás, o celular mal pega. É por isso que não consegui falar com ela para contar a sua história. Mas falei com outra Flor, a dos Santos, que se uniu a outras produtoras para visitar o povoado do Moinho e assim contar a história dessa senhora mãe da Chapada dos Veadeiros.

Dona Flor teve 18 filhos. Pensa que é muito? Ela adotou outros 28. Perdeu quatro dos filhos biológicos que teve com o marido, Donato, também raizeiro como ela. Além de conselheira e porta-voz dos conhecimentos da medicina tradicional local, sábia no uso de plantas, Dona Flor é também parteira, ofício que aprendeu auxiliando o nascimento da irmã – e também na própria pele. “Eu queria ver por que é que a mulher ia ter o filho escondida no quarto. Eu queria saber como é. Só vou aprender quando tiver o meu filho? Quando eu vou ter o meu eu vou ter é só. E tive o primeiro só”, ela conta.

Com sua assistência, nasceram mais de 300 bebês do povoado. Alguns ela adotou. “Como ela diz, quase todos são seus parentes, pois muitos nasceram em suas mãos e por ela foram alimentados e cuidados durante os primeiros meses de vida”, explica a outra Flor, a documentarista.

http://www.brasilpost.com.br/2015/05/10/dona-flor-parteira-documentario_n_7237200.html

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FUNDAMENTAL

Antes de sermos concebidos, existíamos em parte como um ovo no ovário da nossa mãe. Todos os ovos que uma mulher vai ter formam-se enquanto ela é um feto de quatro meses de idade no ventre de sua mãe. Isto significa que a nossa vida celular como um ovo começa no ventre de nossa avó. Cada um de nós passou cinco meses no ventre de nossa avó e ela, por sua vez, dentro do ventre de sua avó.  

Nós vibramos com os ritmos de sangue da nossa mãe antes de ela própria ter nascido. E este ritmo é o fio de sangue que corre desde lá detrás desde as avós da primeira mãe. Nós todos compartilhamos o sangue da primeira mãe – somos verdadeiramente crianças de um só sangue. 

Os homens não podem transmitir esta continuidade de energia celular para seu esperma. O pai não passa a marca de uma vida, mas apenas a energia fugaz de poucas semanas. A natureza do homem é, em muitas formas metafóricas, uma rápida ascensão e queda – o desaparecimento e ressuscitar de energia refletida em tantos dos antigos deuses masculinos.

– When The Drummers Were Women de Layne Redmond

  

A Busca

O Caminho da busca de si mesma é interrompido quando a mulher pensa que poderá continuar sem estar na verdadeira irmandade. É o erro de muitas. A busca de si mesma e da irmandade implica transformação, cura, aceitação, confronto e sublimação. Com tudo o que isso implica. Se não aceitarmos isto, jamais conseguiremos de materializar em Círculo o amor real e verdadeiramente incondicional que pertence ao Sacerdócio do Feminino. 

– Isabel Maria Angélica, 25.jul.2015

  

O Culto à Deusa

“O declínio do culto da deusa privou a mulher de modelo religioso e de sistemas espirituais que correspondam às suas necessidades e à sua experiência. O deus masculino caracteriza as religiões ocidentais e orientais.
Avatares, pregadores, profetas, gurus e budas são todos masculinos.
A mulher não é incentivada a explorar a sua própria força e a sua realização. Submissa à autoridade do homem, ela deve se identificar com as percepções masculinas e seus ideias espirituais, renegar o seu corpo, abafar a sua sexualidade, moldar a sua concepção do mundo na forma do masculino.”

– Barbara Marciniake

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Entrega à Grande Mãe

A Serpente é uma incorporação do sincronismo entre mulheres menstruadas. A Serpente “engole” as mulheres menstruadas. O interior da Serpente é uma replica do útero da Mãe. Grupos inteiros de mulheres são engolidas pela Serpente. O mito, entre outras coisas, traz à consciência da ligação entre todas as mulheres que os seus sangues menstruais são o mesmo, que todo o sangue é sangue menstrual.

– com base na história das Irmãs Wawilak descrita no livro Blood, Bread and Roses de Judy Grahn

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O reconhecimento do Sagrado Feminino deve ser uma busca de todos, porém cabe às mulheres uma responsabilidade maior, devido à sua ancestral e profunda conexão com os arquétipos, atributos, faces, ciclos e energias da Grande Mãe.

– Mirella Faur

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