Archive | Junho 2015

A ETERNIDADE DE ÍSIS

A ETERNIDADE DE ÍSIS

Vitoriosa sobre a morte, Ísis sobreviveu à extinção da civilização egípcia, desempenhando um importante papel no mundo helenístico até ao séc V d.C.
O seu culto espalhou-se por todos os países da bacia mediterrânea e mesmo além.
Tornou-se na protectora de numerosas confrarias iniciáticas mais ou menos hostis ao cristianismo, detentora do segredo da vida e da morte e capaz de assegurar a salvação dos seus fiéis.
Mas Ísis não exigia apenas simples devoção; para a conhecerem, os seus adeptos deveriam sujeitar-se a uma ascese, não de contentando com a crença mas subindo na escala do conhecimento e transpondo os diversos graus dos mistérios.
Sendo o passado, o presente e o futuro, mãe celeste de infinito amor, Ísis foi durante muito tempo uma temível concorrente do cristianismo. Mas nem mesmo o dogma trinunfante conseguiu aniquilar a antiga deusa; no hermetismo , tão presente na Idade Média, ela continuou a ser a “pupila do olho do mundo”, o olhar sem o qual a verdadeira realidade da vida não podia ser apercebida. Alíás, não se dissimulou Ísis sob as vestes da Virgem Maria, tomando o nome de”Nossa Senhora”, à qual tantas catedrais e igrejas foram dedicadas?

ÍSIS, MODELO DA MULHER EGÍPCIA

Uma civilização molda-se de acordo com um mito ou conjunto de mitos. Todavia, no mundo judaico-cristão, Eva é pelo menos suspeita, e daí o inegável e dramático défice espiritual das mulheres modernas que se regem por esse tipo de crença. Isto não acontecia no universo egípcio, pois a mulher não era fonte de nenhum mal ou deturpação do conhecimento. Muito pelo contrário: era ela que, através da grandiosa figura de Ísis, enfrentava as piores provações, tendo descoberto o segredo da ressureição.
Modelo das rainhas, Ísis foi também o modelo das esposas, das mães e das mulheres mais humildes. Aliava à fidelidade uma coragem indestrutível perante a adversidade, uma intuição fora do comum e a capacidade para penetrar nos mistérios. Por conseguinte, a sua busca servia de exemplo a todas quantas procuravam viver a eternidade.

CHRISTIAN JACQ – As Egípcias

iIsis Bella

Anúncios

Da Grande Deusa ao patriarcado

Onde antes a mitologia da deusa-mãe estava associada ao simbolismo da serpente, passa agora a existir o mito do Apolo romano (…). Tendo adoptado as crenças oriundas da Grécia, os Romanos apropriaram-se igualmente dos seus mitos. E, de acordo com estes, foi o Deus Apolo quem venceu a serpente Píton, senhora oracular de Delfos. Deste modo, as pitonisas passaram a ser servidoras de Apolo, foram subalternizadas, e era em seu nome que profetizavam ao atingir o estado de transe provocado pelas emanações que brotavam da fenda existente no santuário de Delfos. 

– in O Santuário Alentejano de São Miguel da Mota de Gabriela Morais

  

Senhora de Ofiúsa

– O que parece é que partiram a Mãe-Terra, símbolo de uma coisa só, em dois… – disse Emanuel. – A morte foi separada da vida, como tu disseste, e a deusa, representada pela serpente, passou a ser a morte, tão temida.

(excerto do livro A Senhora de Ofiúsa de Gabriela Morais)

 

O ser humano dedicado ao patriarcado divide tudo em dois. Não estou a falar da dualidade (premissa da vida no Planeta Terra), mas sim do conceito completamente patriarcal do “dividir para reinar”…

A Humanidade está dividida no “antes de cristo” e no “depois de cristo”… “antes da Mãe” e “depois do patriarcado”… Uma divisão tal, que a própria energia indivisível da Pachamama, da Mulher e do Homem se dividem em dois, mas é no género feminino que a cisão é fulcral…

De tal forma que a mulher está dividida entre a santa e a prostituta… Mais ainda! Até a serpente é passível de ser dividida entre a boa e a má, como se de um produto perecível se tratasse (antes estava no prazo, depois fica azedo!)…

E aqui reside uma grande tramóia patriarcal que divide tudo o que tem conotação menos famosa em dois – a serpente está dividida em duas… Lilith parece que também se divide em duas… a Mulher está condenada a ser duas… Aonde querem ir então os seres humanos devotos da cristandade que tanto defendem a divisão de tudo em dois? Estou em crer que é para reinar… dividir para reinar…

Seria tudo bem mais simples se as pessoas se informassem, lessem… Se dedicassem a estudar os livros e pergaminhos antigos, do tempo AC, com mais de 3 mil anos de idade, para que assim entendessem que a vida vai muito para além dos tempos em que os judeus andaram às turras uns com os outros e decidiram avançar com as divisões totais…

Seria bom que todos vissem filmes como o Ágora para perceber que o DC é macabro, sórdido e manipulador. Dos últimos dois mil anos de história da raça humana podemos contar com inúmeras guerras em nome do Cristo, uma caça às bruxas em nome da luta contra do Diabo e guerras mundiais com um ciclo de mortes incontáveis.

Então eu prefiro ir lá para trás… honrar a minha ancestralidade e permitir que as minhas células tirem a venda da ilusão quanto aos símbolos e signos. Descarto o linguajar dos tementes a Deus com as transcendências que ignoram as feridas do ego e mil vezes chamo a Serpente, energia crua da Grande Mãe que me dá a honra de todos os dias me nutrir e alimentar em consciência, lucidez, questionamento e verdade.

Já dizia Timothy Leary – pensa por ti, questiona a autoridade… E assim o faço pois é uma grande frase… chego ao ponto de questionar a minha própria autoridade apenas para me permitir a desconstruir e construir mais una e menos dividida. Um trabalho que urjo às mulheres a fazerem pois o trabalho que nos é pedido não é para termos figurinhas no altar para adorarmos (seja a serpente ou as santidades ou mestrias), mas sim para nos virarmos para dentro e transcendermos a humanidade deturpada que se quer alinhada.

Aho!

– Isabel Maria Angélica, 26-06-2015

Imagem por Sara Rica Gonçalves, no Retiro do Lammas, Agosto de 2014, no Lago de Dornes

IMG_2567

A Serpente – história ancestral em Portugal

A Serpente constitui um outro tema constante no lendário nacional (em Portugal), já que ela é o símbolo mais forte da deusa-mãe por ser um animal subterrâneo, habitante do mundo oculto, do mundo infernal, detentor portanto dos seus segredos, por voltar à luz do dia e por mudar de pele, sinal da sua capacidade regeneradora, do poder do renascimento e da imortalidade. 
– in O Santuário Alentejano de São Miguel da Mota – Vestígios de um culto à Grande Deusa de Gabriela Morais

  

O caminho com as mulheres

Andando nesta senda da busca do meu caminho sagrado tenho-me cruzado com muitas mulheres. E apesar do amor profundo que sinto por cada uma das mulheres que conheço, aprendi recentemente que não é necessário (nem coerente) gostar / enfatizar com todas. Podemos ser irmãs de caminho mas não precisamos ser todas amigas e andarmos aos beijinhos e abraços. 

Esta consciência trouxe-me mais clareza no que toca às minhas relações pessoais e de caminho. Passei assim a apaziguar-me com as minhas emoções no que diz respeito à outra e ao espelho que cada uma me apresenta. 

Desta forma tenho valorizado as mulheres-amigas que a Vida me oferece. E também tenho valorizado as mulheres-caminhantes mas por quem não morro de amores. Será demasiado visceral esta minha afirmação? Se calhar é, mas o visceral é a coerência da verdade que vou sentindo como fiel da minha balança interior. 

Contudo também sei que esta minha visceralidade também tem leituras diferenciadas conforme a mulher que me lê ou me conhece. E muitas vezes esta visceralidade é confundida com masculinidade ou um lado yang mais vincado. Lamento, mas não 🙂

O caminho com as mulheres é de muito amor mas também de muita firmeza. As mulheres quando se juntam rapidamente se tornam permissivas umas com as outras e o círculo perde foco. A firmeza (que também nos carateriza e basta ver uma mãe a educar os seus filhos!) é também um dos mais espectaculares atributos da mulher. E tem sido essa firmeza que me tem ajudado a permanecer na sendo do amor. Os opostos atraem-se, certo?

Mas voltando ao início. Ao caminho com as mulheres. A Vida tem-me trazido dezenas de mulher aos meus círculos de amizade e de trabalho. Mas também me tem levado algumas que se zangam comigo ou com o trabalho que faço. Lamentavelmente vejo-as perderem-se nos argumentos da ferida, em vez de assentarem o crescimento nos argumentos do amor e firmeza. Fico triste quando recordo as que foram e tenho pedido à Mãe para que os nossos caminhos se cruzem novamente. Acredito que um bom abraço tudo sana desde que a cabeça não interfira em justificações superlativas da ferida exposta das meninas. 

Perder-se também é caminho, diz a escritora. Sim é. Mas perder-se para se encontrar é melhor do que perder-se porque te zangas comigo pois eu sou tu. E tu és eu. 
– Isabel Maria Angélica, 18 de Junho de 2015

  

O Feminino e a Terra Mãe

‘A redenção do Sagrado Feminino diz respeito tanto à mulher quanto ao homem. Ao esperar respostas e soluções vindas do Céu, esquecemos de olhar para baixo e ao redor, ignorando as necessidades da nossa Mãe Terra e de todos os nossos irmãos de criação. Para que os valores femininos possam ser compreendidos e vividos, são necessárias profundas mudanças em todas as áreas: social, política, cultural, econômica, familiar e espiritual. Uma nova consciência do Sagrado Feminino surgirá tão somente quando for resgatada a conexão espiritual com a Mãe Terra, percebida e honrada a Teia Cósmica à qual todos nós pertencemos e assumida a responsabilidade de zelar pelo seu equilíbrio e preservação’.

–  Mirella Faur

 

luis_royo_tarot_el_sacerdotisa